Desde o filme Big Fish que sou um seguidor da magia de Tim Burton.
Quando vi pela primeira vez um quadro de Paula Rego fiquei subjugado por algo que não entendia. O que na realidade ali era pintado?
Se Tim Burton é um mestre na criação de mundos de fantasia, é na fantasia desses mundos que Paula Rego encontra muitas vezes a sua fonte de inspiração. Não é em vão que considera Walt Disney, o maior pintor do sec. XX.
O facto deste "post" falar de ambos deve-se somente a ter no mesmo dia visitado a casa das histórias de Paula Rego em Cascais e visto Alice no País das Maravilhas.

Não existiu em toda a exposição um só quadro que me "libertasse" do que senti na primeira vez.
Vi bailarinas que representavam hipopótamos. Uma "mulher-cão", para o qual nem a guia tinha uma interpretação, minimamente, conclusiva, uma mulher "Anjo" que numa mão empunha uma espada e na outra uma esponja.
Dimensões criadas pela mão de uma genial pintora. De Tim Burton espera-se sempre que nos surpreenda.
E mais uma vez isso aconteceu.
Cenários cinzentos, personagens perturbadas e uma interpretação divertida da mulher do realizador - Helena Bonham Carter - no papel de Rainha Vermelha (ele chegou a afirmar que obviamente o papel era dela).
No entanto, fiquei com a sensação que não conseguiu totalmente o efeito que pretendia com os saltos constantes entre 2D e 3D. Em algumas cenas chegou a ser confuso.
Não cheguei a perceber porque motivo a Alice, na primeira vez em que cresce desmesuradamente mantém a roupa, será pelo mesmo motivo que as das cuecas do Incrível Hulk nunca se rasgam?
Um filme que surpreende mas não entusiasma.
